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Aí você sai da sua aula às 10h55m. Vai pro ponto do Centro de Ciências Humanas e espera pelo seu ônibus. Natural. Passa uma linha e algumas pessoas entram, outra linha, mais pessoas indo embora, outra linha e você é a única pessoa no ponto de ônibus. Frio absurdo. Você ali, completamente exposta. Morrendo de medo, óbvio. Espera. Espera. Espera. Espera espera espera. Nada.

Sem celular ou noção do tempo, você decide que o melhor é ir até um telefone público, que fica do outro lado da Universidade. Vai, com 18 anos nas costas, ligar pra sua mãe pedindo arrego, chorando de medo depois de mais de uma hora de espera um tanto aflita. UEL deserta, cenário perfeito de um thriller ou um crime. A imaginação vai longe, qualquer ventinho ou sombra se parece muito com um cidadão mal intencionado ou algo assim.

Sua mãe – mãe é sempre mãe – manda-te um táxi e você descobre que já passa (e muito) da meia-noite. Da dor de cabeça que te matou o dia inteiro você volta a se lembrar só agora, que a tranquilidade voltou um pouco. Você vai voltando pro ponto, o telefone público que você usou ficava perto da Capela, e se você é a única pessoa na UEL, vindo dessa direção, o segurança conclui que você só pode ser mal-elemento e que isso dá a ele todo direito de te abordar grosseiramente e como se você fosse criminosa. “Que que você tá fazendo aqui? Onde cê tava?” Note que, mesmo ficando uma hora inteira absolutamente sozinha no ponto de ônibus, esse é o único momento em que uma figura de segurança aparece. E eu não me sinto nada segura.

O táxi que a mãe mandou chegou, bem rápido. As saídas da universidade estavam fechadas e seja na guarita do CCB ou do Hospital das clínicas não havia um único segurança pra abrir a cancela. O taxista foi na ilegalidade, atravessou o canteiro e, sinceramente, eu não achei ruim. Fosse pra única cancela com guarda, a do CCH (por onde tinha entrado) a minha corrida que já estava em bandeira 2 ficaria ainda mais cara. O taxista me tranquiliza um pouco, me chamando até pelo nome, pergunta se meus pais não dirigem, se eu não podia ter pego uma carona. Eu explico que não era a primeira vez que saía um pouco mais tarde da aula e que, pensando bem, burocraticamente as aulas acabam às 10:50. Quer dizer, é absurdo que não haja mais nenhum ônibus da minha linha na Universidade depois das onze.

“Que curso você faz?”

“Jornalismo”

“Então no primeiro emprego que você tiver, reclama disso aí”

“Pois é…”

“Se bem que, todo mundo sabe desses problemas né? Empresa demitindo gente, cobrando sempre mais caro, e o serviço desse jeito aí”

“nem me fala…”

“Sabe que eu mesmo não reclamo não, né… É isso que me dá lucro, Isabela.” – O taxista ri, acho eu, ironicamente.

Ainda ganhei 80 centavos de desconto, gastando, pra voltar pra casa, vinte e cinco vezes o que gastaria caso houvesse um único ônibus depois das onze horas. Por curiosidade – e por já ter utilizado essa linha muitas vezes na vida – fui ao site da TCGL conferir os horários de ônibus. Eu não podia ter me confundido tanto assim. E não me confundi mesmo. Tava lá. 23:30 o ônibus devia ter passado na UEL e me trazido pra casa por um real e dez centavos (sou estudante, pago meia).

Acho que todo mundo já entendeu que isso simplesmente não aconteceu. O motivo? Em uma hora e meia de espera eu até procurei. Mas também não encontrei. Não obtive resposta por telefone. Nem educação. O que eu podia fazer, não é? A mocinha da reclamação me orientou, quase rindo da minha cara, a sair mais cedo da aula “Se você já sabe que isso sempre acontece”.  É até ridículo. Mas, sinceramente? É exatamente o que eu vou fazer daqui por diante.

É possível fazer uma cobertura da Marcha da Liberdade quando você tá a quilômetros de distância de São Paulo, no interior do Paraná?

Comecei esse texto quando notei meu punho fechado batendo, ao ritmo dos gritos da Paulista, na mesa do computador. Eu acompanhava ao vivo, pelo canal do @foradoeixo a #MarchaDaLiberdade. Seria insano não tentar algum tipo de “cobertura”. Não só pelo meu pulso desvairado e a emoção, mas principalmente pelo peso quase óbvio da manifestação, pelo peso e a representatividade da sociedade civil organizada, que vimos refletidos nessa #Marcha. Força em que (eu sei) todos nós tínhamos deixado um pouco de acreditar.

Minuto de silêncio pelo assassinato do casal de ambientalistas às vésperas da aprovação do novo código florestal

A internet anda tão mistificada e endeusada, que estamos acreditando nela como o melhor meio para a manifestação. Nada, a #Marcha provou, se compara ao manifesto físico, na rua. A internet, porém, foi ferramenta imprescindível . Ela possibilitou que 1800 pessoas* se unissem ao protesto, ainda que sentadas à frente do computador. Essa pessoas, como eu, se sentiram parte da #Marcha, se sentiram requerendo a sua #Liberdade. Se sentiram lá, sem estar. Elas, nós, fizemos parte.

 Então eu concluí que não restava opção.  Eu sei, meu caro, é pretensão tentar COBRIR, no sentido jornalístico e/ou ético da palavra, o que rolou.  Eu não tava lá, in loco,mas a internet é a ferramenta da magia, algo assim?Pra ela não existe tempo ou espaço. Enfim. Eu Vou falar, obrigada.

Dia 21 de Maio. A marcha da maconha, previamente censurada e, então, (re)nomeada Marcha Pela Liberdade de Expressão, foi dura e violentamente reprimida pela polícia que, opa, devia estar defendendo os cidadãos? Pois é.

Nesse dia os maconheiros foram reprimidos sim, com violência física. Apanharam, como criança que apanha dos pais quando esses têm a sua guarda, o poder sobre eles. As justificativas (feliz ou infelizmente) estão à revelia de todo tipo de interpretação. Você tem o DIREITO de achar bom ou mau, justo ou não, correto ou errado, e você tem o DIREITO de ser respeitado por isso. Sério, eu acho mesmo. A questão é que, nesse mesmo momento em que um maconheiro, um jornalista, um cidadão apanhou, toda a liberdade de TODOS nós é que foi vitimada. A liberdade mais primitiva, primordial, básica, crua, vital: A liberdade de expressar uma opinião sem apanhar por isso.

Pois bem, o dia 21 passou. A impunidade, pra nossa sorte, não foi dádiva da PM. Não completamente. A sociedade civil se organizou, através da internet sim, mas sem se prender a ela. A sociedade civil organizada RESPONDEU física, sentimental, romântica e bravamente. As PESSOAS, carnes, ossos, corações e desejos foram pra rua! Provando que não somos só links ou perfis, que não vivemos só do que “curtimos” e não pensamos só que “Replicamos”.

Isso é/foi a #MarchaDaLiberdade. Quatro mil, cinco mil, seis mil PESSOAS (depende da fonte), que obviamente não eram iguais e não precisavam exatamente do mesmo. Milhões de liberdades em jogo. Desejos. Ironias, sarcasmos e felicidades. Cartazes. Pedidos. Encontros. Chuva de bexiga e atividades culturais… GENTE.

Eu entendi e entendo a #MarchadaLiberdade como uma prova de que nós ainda somos senhores da nossa história. De que não somos impotentes. De que, na verdade, temos muito mais força do que imaginamos em qualquer momento. E também entendo como (mais) um voto de confiança na internet.  Sério. A gente mistificou a internet, mas se precipitou a apontar nela o defeito que pareceu mais óbvio: A manifestação da bunda na cadeira, a síndrome da opinião descontrolada e afins. É verdade. Mas não é só.  A internet, a gente não pode esquecer, é formada por pessoas e a rede não liga máquinas.

Além disso, eu entendo a #Marcha como prova de que o ser humano é bom (não é romantismo barato, calma). A manifestação foi pela  #Liberdade de todo mundo e de cada um. Não eram todos integrantes do @Foradoeixo (uma das organizações responsáveis pela #Marcha), não era todo mundo maconheiro, gay, negro, ambientalista… Todo mundo reivindicou sua liberdade sim, mas todos entenderam que a liberdade do outro também tá sendo estuprada em alguma parte do caminho e que, pra sua própria, a liberdade do outro não deve ser corrompida.  A Marcha da maconha que virou marcha da liberdade de expressão que virou marcha da liberdade é inclusive pra que você tenha o direito de achar justo ou não que os maconheiros, jornalistas ou cidadão apanhem de alguém. Isso, desde que você respeite e se esmere pelos direitos de quem discorda… Mais ou menos assim.

Apesar de “Ei, polícia, liberdade é uma delícia”,esse pra mim é o cartaz que representa a #Marcha. Em sentido literal e figurado.

Vou terminar o texto (que já vai longo) esclarecendo – como se precisasse – que isso é sim uma manifestação de orgulho pela marcha e todos os seus significados (abordados ou não), que esse texto é uma defesa da liberdade sim, e, principalmente, do respeito. Vou terminar com um trecho do convite para a #MarchadaLiberdade enviado do @foradoeixo à sociedade, por email:

“Ciclistas, peçam a legalização da maconha… Maconheiros, tragam uma bandeira de arco-íris… Gays, gritem pelas florestas… Ambientalistas, tragam instrumentos… Artistas de rua, falem em nome dos animais… Vegetarianos, façam um churrasco diferenciado… Moradores de Higienópolis, venham de bicicleta… Somos todos cadeirantes, pedestres, motoristas, estudantes, trabalhadores… Somos todos idosos, pretos, travestis… Somos todos nordestinos, bolivianos, paulistanos, vira-latas.
E somos livres!”

II Arraiá de Jorná

Pois é, damas e cavalheiros, chegou a hora do segundo arraiá de jornalismo. O dia (11/06 – sábado) antecede o famigerado dia dos namorados e, pensando nisso, esse ano além da cerveja e quentão pra você esquecer que está solteiro ou do coração de abóbora e o pé de moleque, pra adoçar a vida (?) temos duas atrações mais que especiais: o Correio Deselegante, pra galantear (ou não) as mocinhas  e o almoxarifado do Beijo, pra… Acho que todos imaginam.

Brincadeiras juninas à parte, esse ano o Arraiá traz, além da discotecagem “plural” de sempre, duas, isso mesmo, DUAS bandas: O hard rock da Lanivus e o Rockabilly da Brazilian Cajuns.

Exatamente, se eu fosse você, não perderia por nada!

Lembrando que a festa é open bar, tem apoio do CA de Comunicação da UEL e que parte do lucro será destinada ao Centro Acadêmico CACOM.

O quê: Segundo arraiá de Jornalismo com as bandas: Lanivus e Brazilian Cajuns Southern Rebels

Quando: Dia 11/06 – Sábado – das 15:00 até o domingo raiar.

Quanto: R$ 20,00 – Open bar de Cerveja, quentão e destilados variados, almoxarifado do beijo, correio deselegante e doces.

Onde: Associação da Sanepar, rua Guararapes com Canudos.

#TodosVai e #ToosSeSenteAVontadePraIrCaracterizado

Traginotícia

Eu sou uma opinadora de plantão. Isso é diferente de ser comentarista embasada, de ser qualquer coisa importante, correta, bacana ou variações sinônimas. Eu opino sobre as coisas. As que entendo, as que acho que entendo e, vou confessar, até sobre as que quase desconheço (eu disse que não era algo bacana).

Acontece que, ontem, quando a escola carioca foi atacada, eu preferi silenciar.Eu não sei se foi choque, raiva, medo de falar abobrinha (coisa que eu devia sentir mais vezes), sei só que calei, ainda que involuntariamente.

Pesquisei a respeito do caso, durante esse silêncio, e percebi que só a folha de São Paulo, na página on line, deu 21 ‘notícias’ sobre o ocorrido. Isso num intervalo de 4 horas (período que meu estômago deu conta acompanhar). Mas, pera lá, a notícia, o fato, o caso, o ataque, a tragédia, o massacre, ( isso tudo que vai mudando de nome, sem mudar muito de conteúdo, a cada novo texto) não é uma notícia só? Ataque à escola do Rio, ponto final?

Pois é. Eu compreendo que entre as empresas de comunicação exista uma concorrência e que, como consequência, o volume de noticias, bem como a ‘ordem de chegada’ ( a notícia em primeira mão), ganhem importância superior à matérias pensadas e menos especulativas. É meio regra do jogo. Opinião, como opinadora de plantão, eu tenho, mas se está certo ou não ,não constará nesse texto nem resposta, nem discussão.

Além desses fatos, entendo também a desvantagem relativa do jornal impresso em casos como esse. A TV, veículo mágico, dispõe de uma figura carimbada pra aparecer a todo momento e dentro de qualquer ponto da programação, pra passar ‘boletins’, por exemplo, novas informações… Enquanto o impresso, coitado, chega só amanhã, quando todo mundo já tiver enjoado do assunto. E esperando, dele, mais análises do que ‘notícias’ de fato.

Sim. Eu entendo isso tudo. Tim tim por tim tim. Cabo a rabo. Como preferir… Acontece só que entender é uma coisa, julgar bem é outra história.

Eu tenho 18 anos, e muito chão pra queimar ainda, tapa pra tomar na cara, enfim, eu uso fraldas politicamente, socialmente, jornalisticamente… Meu mundo, felizmente, nunca foi muito comercial de margarina, mas, ainda assim, me falta muito pra julgar de forma completa e, ao mesmo tempo, pontual, casos como esse (que envolvem questões sociais, psicológicas, educacionais, emocionais….). E, mais, me falta muito pra, da mesma forma, julgar a mídia e suas abordagens.

Mas eu não sou burra. Reconheço uma espetacularização quando vejo uma. Isabela Nardoni, Heloá, João Hélio(e eu nem precisei ir pro google procurar esses nomes – um sinal).

O que quero dizer é que não sou sabidona o suficiente pra rezar pros leitores eventuais a cartilha da Sociedade do Espetáculo ou algo parecido. Mas eu preciso acreditar, em compensação, que a desvantagem do impresso, a vantagem da TV, a concorrência mercadológica da informação ou a empresa que a noticia se tornou não sejam justificativas pra que mortes, assassinos, assassinatos, policiais, sobreviventes sejam especulados incansável e apelativamente e, principalmente, não posso acreditar que isso, pura e simplesmente, forme o que a gente anda chamando de ‘bom jornalismo’.

Espero, da mídia, mais que desespero. Espero, da mídia, mais. Essa é a opinião de hoje.

Sobre a Folha:

Não sou observatório ambulante e nem é isso o que estou tentando, por favor. Mas, só a titulo de curiosidade, deixo aqui algumas manchetes e os horários em que foram publicadas:

- Dilma chora (12:30)

- Na carta, atirador diz portar HIV (13:01) (Diz? Não, não diz)

- “Vi um garoto ensanguentado correndo”  (13:10) (aspas de uma criança da escola)

- “Atirador era introvertido”, diz colega de trabalho. (14:20) (Crime sendo apurado, gente precisando de sangue, de apoio psicológico, e você foi no mercado onde o cara trabalhava, caçar um conhecido do cara pra te dizer que ele era introvertido? – Deixando claro que curar pessoas não é função do jornalista, óbvio, mas desenhar o perfil de um criminoso também não, isso cabe aos investigadores, na minha opinião, e fazer isso embasando-se em um colega de trabalho é dramatização)

É óbvio que dentro dessa cobertura houveram atualizações importantes. Como o pedido por doação de sangue, ou a notícia sobre manifestação do sindicato dos professores. Mas, ao mesmo tempo, as matérias se contradiziam sobre o número de mortos, os leads (primeiro parágrafo da matéria) e os últimos parágrafos se repetiam em grande parte das matérias, isso, sem dizer que, contando com essas repetições, os textos traziam 3  parágrafos, um pouco mais quando se tinha uma aspa, muitas vezes, de uma criança.

Já disse que não sou um observatório, nem a pessoa mais competente pra fazer essa análise, que, aliás, já deve ter sido feita por alguém. A mídia adquiriu esse costume de julgar casos antes daqueles a quem essa função cabe, e, principalmente, tornar novela, o que, na verdade, é notícia.

Eu ainda não encontrei a frase de efeito pra fechar esse texto, pra expressar o meu medo e apreensão e acho que, pra esse caso, esse é definitivamente o melhor jeito de terminar… Às vezes eu queria que isso servisse como um aviso prévio principalmente pra quem vai ser jornalista um dia – O meu caso – ou como um alerta, pra todos nós que estamos sugando algo  de alguma tragédia ou sendo expectadores confortados desse ‘sugamento’ todo.

O desespero da mídia/mercado é desrespeitoso, mas a gente perdeu muito tempo admirando isso pra poder pensar, de fato, à respeito.

Opinião.

O JV é um blog bem específico e é por isso que eu quase nunca tô aqui. Ele é pra assuntos considerados,  ao mesmo tempo, “jornalísticos” e pessoais. Ele é pra assuntos como o de hoje: O estágio em Jornalismo.

Primeiro os fatos: Existem três “diretrizes” para a profissão/estágio em jornalismo. A primeira delas é a regulamentação da profissão, o Estatuto data de 79 e não tem parágrafo específico sobre o estágio, a questão é citada apenas no artigo 19, onde a atividade fica proibida APENAS se realizada como mão de obra barata.

Outra diretriz é a Lei Geral do Estágio, ano 2008, que não possui nenhum parágrafo específico para o curso de Comunicação Social. Entre outras coisas (válidas para todas as habilitações), a carga horária máxima permitida fica definida em 30 horas semanais, sem exigência alguma sobre tempo mínimo de curso concluído. Certo.

A terceira diretriz, então, é o estatuto da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas). É aqui que se determinam questões como a carga horária máxima – que fica definida em 20 horas semanais – e o tempo mínimo de curso concluído – 6º período. Porém, o que deve-se lembrar é que esse estatuto NÃO VALE COMO LEGISLAÇÃO. Trata-se, na verdade, de um “aconselhamento”, um “direcionamento” que as universidades podem ou não adotar.

As contradições nem são tão difíceis de perceber. A qualidade da formação que a universidade oferece é mínima e ignorar, então, a possibilidade de aprimoramento que só a prática (no caso, o estágio) oferece, é um erro! Antes de simplesmente proibir um estágio, a preocupação devia ser a contrapartida: “Se nossos alunos não podem estagiar por todo esse tempo X, então o que faremos para prepará-los realmente? Pra capacitá-los? O que vamos oferecer a eles para que não sofram desvantagens futuras, no mercado de trabalho?”. A Universidade é um ambiente de preparação que depende de outros ambientes, e essa sensação de “onipotência” não deve existir. Muito pelo contrário, a auto-crítica é imprescindível, é necessário que a academia admita suas falhas, suas insuficiências pra, então e em conjunto, melhorar o todo. E, nesse ponto, TODOS os interessados deviam estar envolvidos.

Além disso, existe uma questão que, do meu ponto de vista, é a mais preocupante. A Universidade e todas as pessoas que a compõem estão ali por um motivo claro: O ensino/aprendizado, o bom e velho desenvolvimento pessoal/intelectual. Tá certo. O que acontece é que nem todos os alunos têm o privilégio de se dedicar unicamente à universidade, em lugar disso, uma porcentagem significativa PRECISA manter um emprego e receber um salário paralelo à graduação. Sendo assim, é infinitamente mais proveitoso e inteligente que essa fonte de renda seja uma atividade complementar à formação do estudante, e não uma atividade prejudicial como acontece, já que a outra opção (dada a proibição do estágio) é quase que certamente um emprego de 8 horas diárias, 44 semanais, sem nenhuma relação com a atividade jornalística. É possível captar a gravidade e a incoerência da questão?

Isso tudo sem contar questões lógicas. O Jornalismo é uma profissão sem exigências, do ponto de vista burocrático. Nosso diploma não é mais necessário. Qualquer um, legalmente falando, pode sentar-se numa cadeira de redação e exercer a profissão. A classe “Jornalistas” ficou extremamente abstrata. Deste modo, e pautado por uma legislação, qualquer cidadão, de qualquer área do conhecimento (e até de área nenhuma) está apto a agregar valores de jornalismo em um estágio, enquanto que o ESTUDANTE, que devia estar sendo preparado desde o momento em que escolheu o compromisso jornalístico, não o pode.

Eu acredito mesmo que “a volta do diploma” seja necessária, porém não se pode ignorar a conjuntura atual. A exigência fica mais intensa quando se tem muita gente “permitida” a concorrer numa mesma área, e nesse momento específico estamos falando sobre concorrer com UM PAÍS INTEIRO. Isso tudo, somado, significa que ao escolher o método tradicional, a Universidade, eu também escolhi que, pra proteger uma classe que nem existe de forma clara, eu não posso adquirir experiência. E, o mais legal, isso significa que, antes de mim, QUALQUER UM pode agregar valores de jornalismo e escolher se, depois, os joga fora e volta pra sua área respectiva, ou se usa dessa experiência pra concorrer comigo por um emprego. Claro que não é justo.

O fato é que por razões abstratas e pouco coerentes, a universidade sacrifica a formação do estudante que a escolheu e que confia nela. E mais que isso, na ânsia de defender a classe e o diploma, acabe abrindo brechas enormes pra que o contrário aconteça. Prepara o graduando de uma maneira que não é a ideal e, assim, deixa em aberto um espaço que acaba por qualificar outras pessoas, que não serão jornalistas formados e que talvez até disponham de um diploma em outra área. Mas que pela experiência (e talvez em um momento mais desesperado) poderão exercer a função e ocupar lugares que poderiam ser de Jornalistas de fato.

Então, devo concluir que, por escolher a universidade e demorar ainda 3 anos pra receber um diploma que nem é exigido, não integro a classe? Não mereço ter minha formação e experiência defendidas e garantidas? Devo achar justo que QUALQUER outra pessoa possa exercer um estágio na minha área sem tê-la escolhido? E, pior, devo confiar nessa universidade que, além de não me defender, não pede a minha opinião?

Acho que, ao invés de um, são três os medos: O futuro do Jornalismo, da informação, do compromisso. O futuro da educação, de um modo um tanto geral. E hoje, aqui, agora e principalmente, o medo do meu futuro. Pois eu escolhi a universidade para traçá-lo da melhor maneira possível, e esse direito também me está sendo vetado.

 

Grande coisa, sistema eleitoral mais desenvolvido do mundo. O que ganhamos com isso? Continuamos votando em candidatos pré-determinados. Continuamos, no fim, escolhendo o “menos pior” e continuamos, não sei bem porque, achando que votar em palhaços é um tipo de protesto. Congratulações a nós, então.

Esse ano eu, que acabo de completar 18 primaveras, votei pela primeira vez. Com o peito estufando ideologia (e, no caso, ilusão) pensei, pesquisei, discuti, convivi com a política em redes sociais e em mesas de bar. E disse, inclusive, que sentia que as coisas caminhavam prum rumo que poderia ser chamado de “diferente”. Não sei diferente de que, mas era assim, “DIFERENTE”, a placa que indicava o caminho que eu julgava ser o próximo.Já falei que a ideologia no meu peito era uma grande ilusão? Falei, né?

Eu acreditei que as pesquisas eram todas compradas, que meu voto e meu discurso podiam levar um candidato pro segundo turno e, de lá, pra presidência. Acreditei que dava pra fazer diferente. Eu me enganei, me desiludi, entendi pessoas que simplesmente se anulam nas eleições, pessoas que escolhem legendas, pessoas que justificam seu não-voto, pessoas que.

Entendi porque, tendo me desiludido logo no primeiro turno, também teclei o dígito do menos pior na urna da reta final. Votei sem o menor gosto. Acompanhei a apuração sem torcer. Nem pra vencer, nem pra perder. Já que diferente não era mais possível, mesmo.

Grande coisa, sistema eleitoral mais desenvolvido do mundo. Antes fosse discussão política mais aberta do mundo, conscientização política mais eficaz do mundo… Mas, não. O que temos agora – resultante até de um protesto que pagará milhares ao Tiririca – é o futuro “menos pior” do mundo. Se o sitema prático de votar, basta. Congratulações a nós, então.

Depois de longo tempo de análise (que espero que justifique o atraso – quase anacrônico – dessa publicação) concluí que a participação da internet nas eleições presidenciais de 2010 foi uma pequena lástima. E por inúmeros motivos hora engraçados, hora de mal gosto.

No começo, lá pelo primeiro turno, a rede foi superestimada. Os candidatos se infiltraram nas redes sociais, e esperaram dela muito mais do que, aqui no Brasil, ela poderia render. A animação até teve justificativa, a campanha vitoriosa do seu Obama lá no hemisfério onde neva. Mas quão gritante não é a diferença entre as duas nações? Quem acompanhou, realmente, os twites, os vídeos virais, os debates on-line? E mais, isso tudo, afinal, funcionou,  rendeu alguma coisa?

"Eles esperaram que a internet se auto alimentasse"

O debate on-line foi uma grande piada, vá. Foi uma caricatura do debate televisivo escoado pra rede. O sinal caiu a todo instante, e a interação foi quase nula. E, deu-nos aquela sensação de que ninguém (ou quase ninguém) entendeu nada. “Os caras das campanhas eleitorais são muito bons naquilo que sempre fizeram,debates mediados,horário eleitoral, mas são ‘macacos velhos’ demais pra era digital. Eu não vi diálogo nenhum, e acho que eles esperaram que a internet se auto alimentasse. Criaram perfis e acharam que isso já significava ’estar na rede’, e não é bem assim né?!” Disse Vinicios Lira, estudante de Artes Visuais, que admitiu o pouco interesse pela política, mas confessou a intimidade com as redes sociais.

Os virais, por sua vez, têm um tipo de aceitação que, acredito, se deve ao humor. O eleitor acredita que quem posta o vídeo é outro eleitor e, às vezes, até se familiariza com a suposta “crítica” presente. A verdade é que grande parte dos virais é bolada pelos próprios marketeiros, e comunicadores (ou não) das campanhas em questão e se, enfim, fazem grande diferença no resultado final das eleições, eu não consegui descobrir (e duvido muito). Sei apenas que Serra comedor, Quem conhece o PT não vota no PT, e tantos vídeos afins estiveram presentes durante as campanhas maiores ou menores e, no fim das contas, não ajudaram em nada as críticas ou as discussões. Apenas tiraram o crédito que a rede em si já não tinha muito “a internet foi utilizada como mais um meio pra difusão de ataques entre os candidatos, já que essa eleição foi uma piada de mal-gosto e pura hostilidade. Além de que parece que a militância foi transferida das ruas pra web, o que nos faz entrar numa esfera cada vez mais virtual da vida, e eu acho isso tudo um caos” Disse Rafael Sanches, @rflsanches, estudante de Ciências Sociais de 19 anos, adepto das mídias sociais.

"Essa eleição foi uma piada de mal gosto, além de pura hostilidade"

Além de toda essa parafernalha criativa, o grande representante das novas mídias nessa eleição, foi, sem dúvidas, o Twitter. O brasileiro entrou em contato com a ferramenta há pouco tempo, na verdade, mas já está conectado a ele de forma bastante significativa. Foi esse o espaço das #coberturascolaborativas das campanhas, dos perfis dos mais variados (fossem reais, ou não) e o troféu, aqui, vai pra @silva_marina, a então candidata do PV. Na internet, sua campanha foi a de maior sucesso, sem dúvidas, teve maior atenção do público jovem e conseguiu, inclusive, arrecadações em dinheiro. A linguagem funcionou, foi entendida, e o twitter da senadora não parou de funcionar com o fim das eleições.

Dá pra pensar que a Marina foi a grande experiência das eleições. E nesse ponto, foi realmente. Sua campanha criou, inclusive, um jogo on-line no melhor estilo Farm Ville, onde as suas propostas podiam ser conhecidas, e onde, ouso dizer, o eleitor era levado a serio. E por que é, então, que a Marina não foi nem pro segundo turno?  Mil motivos poderiam ser citados, mas concluí que, à semelhança das campanhas on-line, o brasileiro não prestou tanta atenção a isso. As campanhas on-line bem feitas foram um grande avanço, mas a atenção foi realmente voltada pro que era mais polêmico, por assim dizer. Discutiu-se, de forma incrivelmente apressada, questões delicadas como o aborto e o casamento homossexual. E-mails diziam de Dilma, o suficiente para que ela fosse, além de perdedora, presa. E, no final, a internet que, lá no começo (e até antes das eleições) prometia ser o grande trunfo de 2010, acabou tendo seu potencial de discussão praticamente esquecido, e se tornou uma imitação do que já víamos em outras mídias: A arena de ataques (fundamentados ou não).

Enfim, o potencial da internet, que podia ser o grande diferencial, foi pouquíssimo utilizado de verdade, “Marina Silva, por exemplo, ganhou muitos votos por ser mais “moderninha”, ela respondia pessoalmente a galera no twitter, e isso a aproximou dos jovens.Por outro lado, nessa mesma internet, os vídeos da Dilma afastaram-na de eleitores que não procuraram saber se era verdade o que diziam… terrorista, faz aborto, lésbica… muito disso só teve esse impacto porque correu na internet, o que torna a mídia, ao mesmo tempo que boa, um pouco perigosa” Disse Tatiana Oliveira, 25, estudante de Comunicação Social. E é essa a preocupação, a  campanha que teve relativo sucesso on-line, conquistou votos, visibilidade,mas, ainda assim, perdeu a presidência para uma campanha muito menos arquitetada em termos de internet. No fim das contas, o que deve ficar são, de fato, os dois aprendizados. Primeiro, os Dinossauros das campanhas devem aprender algo com essa nova modalidade de propaganda que se apresentou a nós. Está na hora de levarem a rede social a sério, e de aprenderem que essa mídia é séria e que é responsabilidade deles que seja assim. Mas, o segundo aprendizado, acredito, é mais importante. O nosso. Enquanto eleitores. Que devemos aprender que aqui também se cobra, e que aqui também se tem dividas. Se enquanto internautas queremos ser levados a sério, temos que, como internautas também, cobrar. As campanhas foram meio “patifosas”, mas como disse o Rafael “cadê a militância que cobre seriedade?” Pois é,cadê?

"A internet, ainda que muito boa, pode se tornar um pouco perigosa pra assuntos tão sérios quanto as eleições"

Enfim, a experiência nova serviu de algo, de aprendizagem. Mas muito ainda há que ser feito para que as campanhas (não só de internet) sejam realmente sérias, respeitosas, e, por que não dizer, decentes! E, já que se trata de uma mídia de troca e interação, nós, do nosso lado, devemos aprender, principalmente, a cobrar. Porque isso, isso sim é um dever.

 

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